
A sociedade tende ainda ver o abuso sexual infantil como uma questão privada na qual o Estado (instituições que preservam os direitos da criança e adolescentes) não deve se intrometer. Vamos dar uma esclarecida do que seja abuso infantil. Crianças e adolescentes têm sido vítimas de abuso sexual que é considerado um grave problema de saúde pública, devido aos altos índices de incidência e às sérias conseqüências para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da vítima e de sua família (Gonçalves & Ferreira, 2002; Habigzang & Caminha, 2004; Osofsky, 1995). Inclui também o abuso sexual em situações nas quais não há contato físico, tais como voyeurismo, assédio e exibicionismo (é um desvio sexual manifestado pelo desejo incontrolável de obter satisfação sexual no fato puro e simples de exibir os órgãos genitais). Estas interações sexuais são impostas às crianças ou aos adolescentes pela violência física, ameaças ou indução de sua vontade. (Azevedo & Guerra, 1989; Thomas, Eckenrode & Garbarino, 1997).
Incluem-se toques, carícias, sexo oral ou relações com penetração (digital, genital ou anal) as relações sexuais, mesmo sem laços de consangüinidade, envolvendo uma criança e um adulto responsável (tutor, cuidador, membro da família ou familiar à criança) são consideradas incestuosas (Azevedo, Guerra & Vaiciunas, 1997; Cohen & Mannarino, 2000a; Thomas & cols., 1997). Nesta inclusão temos: madrastas, padrastos, tutores, meio irmãos, avós e até namorados ou companheiros que morem junto com o pai ou a mãe, caso eles assumam a função de cuidadores (Forward & Buck, 1989). A familiaridade entre a criança e o abusador envolve fortes laços afetivos, tanto positivos quanto negativos, colaborando para que os abusos sexuais incestuosos possuam maior impacto cognitivo comportamental para a criança e sua família (Furniss, 1993; Habigzang & Caminha, 2004).Podendo afetar o desenvolvimento de crianças e adolescentes de diferentes formas o abuso sexual, uma vez que algumas apresentam efeitos mínimos ou nenhum efeito aparente, enquanto outras desenvolvem graves problemas emocionais, sociais e/ou psiquiátricos.
Ainda ocorrem casos de corrimento vaginal, hemorragia vaginal, ardor ao urinar, corrimento através da uretra (canal por onde sai a urina), alterações do comportamento (agressividade, masturbação excessiva ou de modo exibicionista, atitudes e conversas sobre temas sexuais desadequados ao nível etário), pesadelos, insónia, encoprese (perda de controle da emissão de fezes), medo de estar sozinho, dificuldade de aprendizagem, etc. O impacto do abuso sexual está relacionado a fatores intrínsecos à criança, tais como, vulnerabilidade e temperamento, resposta ao nível de desenvolvimento neuropsicológico e a existência de fatores de risco e proteção extrínsecos (recursos sociais, funcionamento familiar, recursos emocionais dos cuidadores e recursos financeiros, incluindo acesso ao tratamento). Algumas conseqüências negativas são exacerbadas em crianças que não dispõem de uma rede de apoio social e afetiva.
O abuso sexual pode acontecer a qualquer criança, independentemente do sexo, da idade ou da classe social. As crianças pequenas ou portadoras da deficiência são mais vulneráveis por terem mais dificuldade em defender-se ou em pedir ajuda. O risco de não denunciar esse transgressor seja quem for, custa muito caro. Além disso, a pessoa está sendo conivente ao ato do abusador. Conselho Tutelar existe para isso como também, delegacias, assistentes sociais e psicólogos preparados que estão prontos a ajudar. O número de casos de abuso sexual conhecidos é inferior ao real, já que muitas crianças guardam segredo, por medo ou vergonha de revelá-lo. O abuso sexual é crime e a sua denúncia pode prevenir que outras crianças sejam abusadas no futuro. Quando uma situação de abuso sexual é identificada, o primeiro objetivo é a proteção da criança, o que pode ser feito de imediato. Então, por favor, denuncie! Todos nós somos responsáveis.

